A Perseverança em Fazer Missões

É de Charles Spurgeon uma frase sobre perseverança que me chama atenção. Ao pregar, lembrava sua congregação em Londres de que “Perseverando, o caracol chegou até a arca”. A vida cristã exige perseverança na oração, na leitura da Palavra, na santificação, etc. Não é diferente em relação à obra missionária. Quando Deus abre portas, o inimigo tenta fecha-las, e há ocasiões em que nós mesmos fechamos as portas, pois desanimamos e desistimos.

No texto de Atos 18.1-17 o apóstolo Paulo deixando Atenas partiu para Corinto, onde aguardou a chegada de Timóteo e Silas vindos da Macedônia. Corinto era a capital da província romana da Acaia, famosa por seu caráter cosmopolita e também um importante centro comercial, onde viviam cerca de 200 mil pessoas. O templo de Afrodite tinha mil prostitutas religiosas, sendo uma cidade notória por sua imoralidade.

Nessa Cidade não era difícil encontrar muitos filósofos e os conhecidos mestres itinerantes que buscavam sobreviver a partir da ignorância e superstição do povo, que lhes agradavam com dinheiro. Talvez por isso, o apóstolo Paulo se dedicou ao trabalho secular, fabricando tendas, levantando o seu próprio sustento, para não ser interpretado da mesma maneira.

O texto bíblico diz que Paulo encontrou um casal judeu, Áquila e Priscila, que, como ele, trabalhava com couro. Este casal já era cristão, talvez até tenha participado do inicio da igreja em Roma e vieram a Corinto para estabelecer negócio comercial.

Eles se tornaram colaboradores de Paulo, cedendo sua casa para a igreja se reunir (1 Co 16.19), ajudaram-no em Éfeso (At 18.18-28) e arriscaram a própria vida por Paulo (Rm 16.3,4).

Todos os sábados Paulo se dedicava à pregação na sinagoga (vers. 4) e durante a semana fabricava tendas. Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia (At 17:14, 15; 18:5), trouxeram uma oferta (2 Co 11:9) que permitiu a Paulo dedicar-se em tempo integral à pregação.

Onde entra a perseverança em missões? Como se pode perceber em Atos 18.6-8, com o avanço do trabalho, veio a oposição (1 Co 16:9) e, exatamente nesse tempo, Paulo precisou ser encorajado pelo Senhor. Com isso aprendemos algumas lições.

Primeiro, quando Deus abençoa um ministério, estarão presentes novas oportunidades e muita oposição. Em segundo lugar, devemos seguir a força dos planos de Deus e não a força das circunstâncias. Paulo pensou em sair de Corinto e Deus lhe apareceu numa visão dizendo: “Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (At 18.9,10).

Em último lugar, ter fé perseverante significa, simplesmente, obedecer à vontade de Deus apesar dos sentimentos, circunstâncias e consequências. Paulo pensou em deixar a evangelização em Corinto, mas obedeceu à vontade do Senhor como diz o texto: “E ali permaneceu um ano e seis meses, ensinando entre eles a Palavra de Deus” (At. 18.11).

Portanto, é difícil imaginar se o apóstolo não tivesse perseverado em Corinto. No entanto, porque ele obedeceu a Deus, podemos verificar os resultados do seu ministério naquele local. Caminhar pela fé significa vislumbrar oportunidades até mesmo em meio à oposição. Como já foi dito por alguém: “um pessimista enxerga apenas os problemas; um otimista vê apenas o potencial; um realista vislumbra o potencial dos problemas”.

A obra missionária hoje precisa de colaboradores como Áquila e Priscila, sempre dispostos a contribuir na obra do Senhor. Assim como precisa de obreiros como Paulo disposto a agradar a Deus num lugar difícil como Corinto, não permitindo que a adversidade impedisse seu ministério.

Por fim, afirmo que Deus sempre levantará companheiros ao longo do caminho e, saiba que a conquista, sempre atrairá oposição, mas o Senhor sempre estará conosco.

Faça missões!

Pr. Jackson Douglas
Diretor de Evangelismo e Missões Mundiais da IADESL

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