Alemanha, um grande desafio missionário.

ALEMANHA, um grande desafio missionário

Missionários Dietz.

Tanto minha esposa Elisabete quanto eu, Rolf, nascemos em famílias de origem alemã e ouvimos o idioma alemão ser falado pelos nossos pais. Mesmo assim a aprendizagem do alemão foi muito difícil, para pregar o evangelho neste idioma e escrever os materiais de ensino e livros nesta língua.
Houveram diversos sinais em minha infância que apontavam um futuro chamado para a Obra missionária na Alemanha, mesmo que naquela época não sabia ao certo o que significava na prática ser um missionário, dado que meu avô paterno havia sido missionário, enviado da Alemanha ao Brasil, mas estava já aposentado.
Deus nos chamou, com nossos três filhos para a Alemanha, para onde viemos por fé no ano de 2003. Estamos completando 16 anos de trabalho missionário na Europa.
A Alemanha é um dos grandes campos missionários mundiais. Apesar de ser um país considerado “cristão”, devido ao fato de a maioria dos habitantes serem associados a uma religião católica romana ou protestante, na verdade o número de crentes em Cristo está por volta de 63.000, contadas todas as igrejas pentecostais juntas, conforme o site da instituição BFP. Não chega a 0,05%, ou seja, menso de 1 a cada 2000 pessoas crê em Cristo de modo pessoal. Na antiga Alemanha Oriental a situação é ainda pior, devido ao comunismo que lá havia, desde 1945 até 1989.
Este país tem 83 milhões de habitantes e possui muitos templos católicos e protestantes, os quais, porém, estão vazios nos cultos. Somente na páscoa e no natal é que enchem. Estas igrejas estão fechando em grande quantidade e os templos estão sendo vendidos. Somente em 2016, por exemplo, estas igrejas perderam juntas mais de 650.000 membros na Alemanha e milhares de templos foram fechados e demolidos ou vendidos.
Logo depois da Segunda Guerra Mundial a Alemanha chamou imigrantes turcos para ajudarem na reconstrução do país. Sendo eles islâmicos, o número de adeptos da religião de Maomé tem se multiplicado assustadoramente. Não bastando isso, recentemente milhões de islâmicos tem entrado como refugiados de guerra. Enquanto as famílias alemãs costumam ter 1 ou 2 filhos, as famílias islâmicas são numerosas. Por isso seu número cresce constantemente.
Culturalmente, existem vários fatores que destacam os alemães de todos os outros europeus. A Alemanha foi o centro de duas guerras mundiais nas quais foi derrotada e terrivelmente bombardeada e destruída. Além de serem oprimidos pelo sistema nazista, também sofreram embaixo dos aliados. Estes causaram tanta destruição na Alemanha, como esta havia causado na soma de todos os países que atacou. Esse sofrimento causou vários impactos na mente dos alemães que se demonstram até hoje:
– Medo. Medo de perder as coisas de novo, do contato físico, de perder o controle, de ideologias enganosas, medo de tudo aquilo que não se encaixa no padrão deles do que seja normalidade. Eles usam a palavra “medo” o tempo todo. São muito controladores. Tem medo de experimentar coisas novas, principalmente do agir de Deus e o batismo no Espírito Santo.
– Para se ter uma ideia da quantidade de Bombas lançadas naquela época. Até hoje estão sendo encontradas bombas que não explodiram na Segunda Guerra, em quantidades imensas, em média 10 toneladas por dia! No tempo em que moramos nesta cidade de Marl, que não é das maiores, já foram encontradas várias, inclusive uma de 500 Kg a 100 metros de onde moramos. Metade do bairro teve que ser evacuado para que ela pudesse ser desativada. Até hoje o terror da guerra acompanha as pessoas, na lembrança, no viver diário e na cultura.
– Desconfiados: Devido a isso, eles aprenderam a ser muito independentes, confiam muito no próprio trabalho e não confiam nas pessoas.
– Materialistas. Eles passaram fome nas guerras e aprenderam a valorizar cada farelo de pão. Tiveram que trabalhar muito para reconstruir o país. São muito voltados aos valores materiais e à poupança. A maioria dos crentes alemães não são dizimistas, por isso as igrejas pentecostais daqui têm dificuldades. Muitos missionários acabam se convertendo ao materialismo, negligenciando a obra missionária e se dedicando ao acúmulo de bens materiais, se embaraçando com coisas deste mundo.
– Famílias desestruturadas: os sobreviventes da guerra cresceram em sua maioria em famílias de mães solteiras, devido ao fato de os maridos terem morrido na guerra. Até hoje isto se reflete em um número muito grande de mães solteiras, porque o modelo da família tradicional foi abalado na mente das pessoas.
– Mulheres masculinizadas: devido ao fato de os homens terem que lutar na guerra, as mulheres tiveram que trabalhar nas fábricas de munição e armamentos de guerra. Depois da guerra elas tiveram que ir trabalhar nas fábricas, para alimentarem seus filhos, levando elas involuntariamente a terem um posicionamento independente e forte, adquirindo características masculinas em sua forma de vestir e agir.
A fé pentecostal tem muita dificuldade em trabalhar na Alemanha, devido a vários fatores:
– Até o ano de 1918 era proibido ser crente na Alemanha. Os crentes eram perseguidos. Muitos deles foram mortos pelo catolicismo e também pelo protestantismo.
– Em 1907 o pentecostalismo começou a vir dos EUA para a Alemanha. Os crentes não-pentecostais que existiam na Alemanha na época se reuniram e proibiram seus fiéis aceitarem o pentecostalismo e publicaram um documento que ficou muito famoso a “Berliner Erklärung”, que afirmava que o pentecostalismo tinha origem no inferno e que os crentes não deveriam ter contato com ele. Até hoje muitos crentes não-pentecostais morrem de medo do Espírito Santo.
A Alemanha necessita urgentemente de missionários. São mais de 82 milhões de almas que vão se perdendo. A maioria dos missionários que já estão aqui, originários de diversos países, não estão conseguindo realizar um trabalho entre os nativos pois estão fazendo um trabalho de atendimento a conterrâneos, ou seja, pessoas nativas do seu país de origem. Isso precisa ser mudado. Precisamos de missionários com visão para evangelizar os nativos e plantar igrejas de fala alemã.
As dificuldades que enfrentamos são muitas: custo de vida elevado, idioma muito difícil de aprender, clima hostil com temperaturas que chegam até 25 graus negativos, a cultura alemã leva as pessoas a serem frias nos seus relacionamentos e não serem abertas ao evangelismo, os crentes alemães não estão acostumados ao trabalho de Escola Bíblica Dominical por isso precisamos trabalhar muito para convencê-los a participar, etc.
Pela misericórdia de Deus, existem também muitas vitórias a serem contadas: temos levado a Palavra a muitas pessoas, na área da evangelização através de visitas, na área da pregação em nossas igrejas, e principalmente na área do ensino bíblico, da Escola Bíblica Dominical para a qual temos conseguido um número grande de alunos; também temos sido abençoados na elaboração de material de ensino voltado ao povo europeu, e para honra e glória do nome de Jesus, estão atingindo até outros continentes, sendo traduzidos para outros 4 idiomas: árabe, italiano, português e inglês; Pela misericórdia de Deus, três igrejas do Oriente Médio, da Jordânia, da Síria e do Iraque já estão utilizando este material no idioma árabe; Deus está dando vitória, pois é muito difícil transportar o material para lá, pois o governo da Jordânia cobra taxas altíssimas para deixar material cristão entrar no país.
Quanto ao futuro, Deus tem nos revelado diversas estratégias que estamos implementando, que são, principalmente:
– Formação de obreiros nativos nas igrejas conforme elas vão sendo estabelecidas;
– Formação de obreiros “fazedores de tendas”, ou seja, que trabalhem secularmente e se envolvam intensamente na Obra de Deus. Os europeus não conhecem este sistema. Missionários fazedores de tendas são uma grande possibilidade no momento, pois a Alemanha está necessitando urgentemente de profissionais preparados em diversas áreas, principalmente na área da saúde: médicos e enfermeiras. Conseguir visto para morar na Alemanha é extremamente difícil, e este é um dos poucos métodos para se conseguir. Além disso, trabalhar secularmente traz consigo a vantagem da aculturação e aprendizagem do idioma mais rápidos.
– Formação de cooperadores e obreiros idosos. A Europa é um continente de idosos. A maioria da população são idosos. A maioria deles não está envolvida na Obra de Deus. Temos que desenvolver uma metodologia de trabalho que englobe a utilização da mão de obra de pessoas idosas na igreja, na obra da pregação e do ensino.
– Hinologia. Os hinos europeus são muito antigos e tristes em sua maioria. Quando usam hinos modernos, a letra é muito fraca, com pouca mensagem. Precisamos de uma Harpa Cristã em alemão. Isto dará muito trabalho, realizar este projeto.
Pedidos de oração:
– Necessidades financeiras dos missionários e dos projetos;
– Que Deus levante mais missionários para trabalhar entre os nativos.
– Missionários sejam chamados como fazedores de tendas.
– Que Deus toque mais alemães para se tornarem crentes fiéis e cheios do Espírito Santo.

Marl, Alemanha. 14 de agosto de 2019

Rolf e Elisabete Dietz – Missionários da SEMADESL

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